Saturday, June 25, 2016

Outra História de Calar






“Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?”
(Fernando Pessoa)

Ela quis partir. Não foi embora de nada do que tinham de precioso, pois ela não queria chorar a ausência das bagagens. Não carregou nos lábios densos e sedentos a hora inevitável do outro beijo, que era o primeiro, feito anseio pelo segundo, desespero pelo terceiro, vertigem pelo vale povoado de beijos ciumentos, disputando sempre a preferência. Um beijo sepultou o outro e desmemoriado com ela partiu. Ela não queria perder e para isso não teve. Podemos achar o amor por ele oferecido, embrulhado em rara seda, em uma das calçadas do tempo, pisado pela dolorosa oração: “Ah, se nós tivéssemos nos conhecido em outro momento da minha vida.” Não sei dela. Partiu. Dele sei que calou. Anda correndo por um túnel de silêncio. O silêncio costuma testemunhar o enterro de dores e o combate dos desejos.

Julio Urrutiaga Almada

Esta é uma das 90 narrativas constantes do livro Caderno de Ontem

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Wednesday, June 22, 2016

Valéria - Conto do Livro Caderno de Ontem










...a cada dia uma mulher diferente, as pequenas flores circundavam as brancas maiores, pequenas e espiraladas, um estilizar de pétalas imitando o labirinto no vestido.
Não há como evitar a ilusão de múltiplos caminhos - de todas as imagens, labirintos: espirais, angulares, retilíneos - detentores de no máximo duas ou três reais saídas, para os começos despercebidos.

Sua maneira de ser todas as mulheres que ela era: superava expectativas e barreiras.
O cabelo tinha cores metamórficas, brotadas de si mesmo.
O tom do corpo era o da sua alma, alçando Vôo ou arremessada.
Os lábios de mordiscar-se encendiam rubras faces. E não havia movimento de dança mais inusitado do que a forma renovada de suas sobrancelhas.
Nela vi e perdi de vista: muitas mulheres. Outonais ou primaveris, escandalizando ou escandalizadas e como não poderia deixar de ser, entre o modo de ninguém e de todas, havia no seu olhar a pena de uma tristeza empoçada.

Julio Urrutiaga Almada do Livro Caderno de Ontem

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Monday, June 20, 2016

Alguns Livros de Julio Almada


LIVRO DOS SILÊNCIOS

 

 

“Contrariando minhas premissas, este livro, surgiu de um propósito, aparentemente racional e, como um desabafo do silêncio, fluiu vertiginosamente, de sobressalto, nas contadas horas, de um só dia.”

 

02/12/2005



Publicado em Abril de 2006, Editora Corifeu, 39 poemas sobre o silêncio nas relações.







          EM UM MAPA SEM CACHORROS

Leitura da Alma se faz na frente do espelho? Nossos cães farejam nosso dia seguinte ou nos perseguem noites em clara à esmo? Quer decifrar ou causar erupções no mundo que nunca fica pronto nem quando partimos para sempre?




41 poemas. Terceira edição Junho 2015






HORA TENAZ


2006 foi uma hora tenaz:
que durou, perdurou e persistiu.

Hora é a maneira de andar, é respiração, é dizer: pois não há como calar.

Tenaz : que não abandona, que incomoda, que dói sem perguntar, que nos brinda com sucessivas tocaias.


Livro com 47 poemas. Publicado em 2012




POEMAS MAL_DITOS


Já viste convulsão poética?

Palavras mal_ditas enquanto a madrugada tentava persuadir o sol a bilhar longe daqui ao menos por um dia: nós vampiros agradecemos. Depois de mordidas: nossas angústias, de exauridas algumas almas e atormentadas algumas calmas, versificamos combates e abraçamos o inimigos, apunhalando a  solidão com espinhos abertos em flor.


Livro publicado em 2007, Editora Alternativa, Segunda Edição 2009, 50 poemas.




INSTANTÂNEO ENLACE


O Primeiro nome, deste livro, “pode reunir-se”, deu lugar a uma forma definitiva, de chamá - lo: Instantâneo Enlace.

Poemas de diversos Tempos, Temas, Formas.

Um Enlace é o encontro, do que só existe, para encontrar- se.

O Instantâneo é a vitória sobre o tempo.

Só o Instantâneo existe
O permanente instante.

Poemas escritos nos anos de
1986-1987,1997-1999





Para saber mais detalhes:Clique aqui

Ou Envie um e-mail para almadalivros@gmail.com

Heracles


















Ninguém sabe
Degustar
um segredo.

Ele tem a cara
De um Câncer.

Ele tem o cheiro
De um medo.

Eu verto silêncios
E aromas de baunilha
Nesses dias entristecidos.

Eu perambulo
Pelos endereços
Inábeis
Dos tempos felizes.

Eu sofro
De amores voláteis
Desandando
A maionese dos magos.

Flor de um asfalto retrátil
Devorador de pernas
dóceis
E sonhos contidos.

Esvoaço a vida
Se esvoaçada
Deixa-se.

Falo a verve
Descontrolada
Dos abismos.

Amo a febre
Dos meus sentidos:
Voz embargada.

Desavisado sorrio
Os dias me dilaceram
Na sorte que anunciam.

Dobro a esquina
Cruzo o rio
Sangro desaparecido.

As mãos prenunciadas
São a febre
Das horas enraivecidas.

O olho inerte
É o remorso
Do tempo vencido.

A outra margem
O rosto da correnteza
cortada.

Palidez é a cor
mais selvagem
à mim permitida.

Morrer centenas
De vezes e não
Morrer sequer um dia:

Trançado de vozes
Calando
As pedras velozes.


Julio Almada do Livro Em um mapa sem cachorros

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Em um mapa sem cachorros mande um e-mail:

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Monday, June 13, 2016

Contos - Caderno de Ontem








Últimos Exemplares:



Este Livro tem em torno de 90 narrativas curtas, escritas na 

sua maioria, na livraria da travessa na travessa do ouvidor 

no Rio de Janeiro. São Textos de 2006.

Livro de Contos Curtos. 102 páginas. Leia um dos contos.

Modus Operandi

Se não és senhor de ti mesmo, ainda que sejas poderoso, dá-me pena e riso o teu poderio.
(Josemaría Escrivá)

Inventei outra dor. A de ontem era insuportável, estava aprisionada com seu destino de dias memoráveis, na cela pretensa da previsibilidade. Esperada. Morrerei de uma dor amorfa e estrangeira, distinta, incoerente. Uma dor homicida, que furará com olhar de desdém, as muitas que já senti.

Julio Urrutiaga Almada do Livro Caderno de Ontem




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Tuesday, June 07, 2016

Conto do livro Caderno de Ontem






Maria

“Na noite profunda e escura da alma,
são sempre três da madrugada.”
F.Scott Fitzgerald


“Em cada nota de dinheiro ganho pela dona desse lugar: há uma lágrima nossa: o choro pela unha não pintada, por um novo dia sem poder combinar a roupa ou pela visita ao cabeleireiro, outra vez, desmarcada. Se não fosse a vaidade, eu não estaria aqui”, ela disse, alisando ostensivamente, os cabelos.

Muitas vezes, eu fui convidado para sua festa de despedida. Não agüento mais esse lugar, eram suas palavras. Um homem apaixonadíssimo viria na sexta ou sábado e esse seria seu último dia.
Semana após semana: ela ainda estava ali.
O amor tem dessas coisas e também as têm: a conveniência, o cinismo e a deslealdade.
Nem sempre ela me cumprimentava, mas quando o fazia, era com intensidade e forma peculiar: uma demonstração de que antes estava impedida: algum cliente, álcool demasiado ou um breve esquecimento.
A meia-luz do lugar revelava, rostos memoráveis, esses que a tristeza arrebata, sem conformidade.
A resistência só os fazia mais tristes e ausentes.

Julio Almada do Livro Caderno de Ontem


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e passo as informações

Monday, April 04, 2016

Poema de Tigres e Tiger's Poem





  
















Poema de Tigres
"Tyger!Tyger!burning brightin the forests of the night,
What immortal hand or eyeCould frame thy fearful symmetry?"
William Blake



01

As garras são meus olhos,
Esses que eram de qualquer outro,
E na ousadia de minha madrugada
Os instalei de súbito em meu corpo.
Olhos renascidos de não morrer
Onde a morte lhes visita a gravidade.

02

Instantâneos e profundos como a saudade:
Noturna matinal arenosa e incômoda.
Lobos aves folhas e olhar de um poço,
Labirinto circular de meus passos felinos.
O tigre dos gritos do meu corpo
Arrasto e não ouvem. Desfolho
Sem saber, o intento no meu rosto.
O Meu Sorriso não tem dizer.

03

Tigres de vôos não vistos,
Não há como ver a altura do imprevisto;
Nem como fugir a fuga dos que tem sina;
Nem como ser luz do que perdeu a vista,
Sem ser brilhar e entorpecer.
Os designados nunca são inteiros
Carregam em seus passos, pés dilacerados:
As pernas e os fatos e as dores.

04

Não há destino exato para a semente no deserto.
Para implacável incerteza desperta.
Para o doer de tigres que desperto.
No tigre dói a não investida,
E assim o tempo cria em mim suas dores.

05

Se persigo veloz tudo que quero:
O fel tenho do não ter e das vontades;
Se passeio ronda a fera como fera,
A vontade que era grande me dilacera.
Sedento da fonte que não seca,
Faminto nas raízes da terra.


06

Quebro a armadilha do labirinto:
Inimigo do transitar das presas,
A prisão do desejo me encarcera.
Os gemidos solitários do secar das ervas:
São explosões inimagináveis do que se queima,
Fogo: angústia nas garras – olhos,
Captura a dor e a corrida do que vejo.

07

Não chamarei de tristes as afiadas unhas,
Nem de solitárias as vítimas da caçada.

08

Há os que praguejam seu destino.
Há os que o destino afaga e cala.
Há no círculo de luz a funda vala
Da fogueira extasiada de algo haver faltado:
Dois dias dois sábados dois olhos,
Ou a mágoa não ter evaporado,
Ou a viagem interceptada de lábios
Que queimariam a febre da fogueira.

09

Quebro nesta tarde com meu correr de tigre:
O braço da sina que me abraça.
Deixem-me por entre flores negras,
Por entre minhas não suavidades:
O tigre que sou – Só garras.
O homem que sou – Só olhos.

Julio Urrutiaga Almada, Do Livro Hora Tenaz


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English Version

Tiger’s Poem
01
The claws are my eyes,
Those which have been of any other,
And in the boldness of my dawn
Were installed suddenly on my body.
Eyes reborn out of not dying
Where death visits them severely.
02
Instant and deep as longing:
Nightly morning, sandy and uncomfortable.
Wolves leaves birds and the look from a well,
Circular maze of my feline’s steps.
The tiger of my body's shouts
I drag and I am not heard. I defoliate
Without knowing the intent on my face.
My smile has never got a say.
03
Tigers from unseen flights,
There is no way to see the height of the unexpected;
Nor getting away from the escape of those who have fate;
Nor being light to those who have lost sight
Without being shining and numbing
The fated ones are never intact
Carrying on their footsteps torn feet:
The legs and the facts and the pains.

04
There is no exact destination for the seed in the desert.
For relentless uncertainty arouses.
For the hurt of tigers' awakening.
In the tiger hurts the unrealized onset,
And therefore the time rises its pains in me.
05
If I chase fast all I want:
I have the gall of not having and of the wills;
If a walk walks around the beast as a beast,
The will that was great tears me apart.
Thirsty for the fountain that does not dry,
Hungry in the roots of the earth.
06
I break the trap of the labyrinth:
The enemy of preys' transit,
The prison of desire imprisons me.
The lonely moans of the drying of the herbs:
Unimaginable explosions of what it is burnt,
Fire: anguish in the claws - eyes,
The capture of the pain and the rush of what I see.
07
I will not call sad and sharp the nails,
Neither solitary the victims of the hunt.
08
There are those who curse their fate.
There are those whose destiny strokes them and silences.
In the circle of light there are deep fences
Of the fire ecstatic to have seen something missing:
Two days two Saturdays two eyes,
Or the hurt of not having evaporated,
Or the intercepted trip of lips
Which would have burnt the fever of the fire
09
I break this afternoon with my tiger run:
The arm of doom that embraces me.
Let me be among black flowers
Not through my gentleness:
The tiger I am - just claws.
The man I am - just eyes


Tradução de Samantha Beduschi e Julio Urrutiaga Almada

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Livros à venda pelo e-mail: almadalivros@yahoo.com.br



Saturday, February 13, 2016

Site Oficial




Poemas de Julio Urrutiaga Almada







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