Saturday, December 02, 2017

12 anos de LIvro dos Silencios












O livro dos silencios foi escrito em um só dia: 02/12/2005 e completa 12 anos. Repleto de recursos sonoros fala do silencio nas relacoes.

Quem quiser comprar o livro em sua versao eletronica, envie um e-mail para: julioalmadaescritor@gmail.com

A Deus Curitiba








Te entrego a Deus Curitiba

Cidade que sempre nos pariu

Pra dentro

Que sempre fez vista grossa

E um olhar sonolento

De todos tão iguais e todos

Separados cruelmente

Do olhar longe de

E a resposta gemendo em silêncio

Não fale com estranhos

Mas por favor

não se assuste no espelho

Acho que já faz tempo que o outro

Não te consegue mostrar você mesmo

Aqui aprendo a morrer e peço

Não me mostre vida em polvorosa

Porque eu verso sobre ficar na minha

Só pra não sair de moda.



Julio Urrutiaga Almada In De Olho: Embriagado

Thursday, November 23, 2017

Cómo somos

Cómo somos

Infecundo nudo, o será fecundo, en las entrañas,
¿De la tierra fascinante, presa a nosotros?
La corriente medula y somos solos,
Millones de soles pequeños enfriando.

La playa que faro lejano
De alas arenosas, erguidas.
Verdes, son los ojos, que busco,
En ese mar de alas arenosas.

La playa que luna transpuesta
Fuente de sorpresas inaccesibles.
Aguas, cráteres inexistentes, de las risas,
En la distancia, de suspiros infranqueables.

La playa que verso verdugo.
Las arenas emigran, así quiero
El mar, que deposita, los secretos
Misterios, en los ojos que traigo.


Thursday, October 26, 2017

Heracles


















Ninguém sabe
Degustar
um segredo.

Ele tem a cara
De um Câncer.

Ele tem o cheiro
De um medo.

Eu verto silêncios
E aromas de baunilha
Nesses dias entristecidos.

Eu perambulo
Pelos endereços
Inábeis
Dos tempos felizes.

Eu sofro
De amores voláteis
Desandando
A maionese dos magos.

Flor de um asfalto retrátil
Devorador de pernas
dóceis
E sonhos contidos.

Esvoaço a vida
Se esvoaçada
Deixa-se.

Falo a verve
Descontrolada
Dos abismos.

Amo a febre
Dos meus sentidos:
Voz embargada.

Desavisado sorrio
Os dias me dilaceram
Na sorte que anunciam.

Dobro a esquina
Cruzo o rio
Sangro desaparecido.

As mãos prenunciadas
São a febre
Das horas enraivecidas.

O olho inerte
É o remorso
Do tempo vencido.

A outra margem
O rosto da correnteza
cortada.

Palidez é a cor
mais selvagem
à mim permitida.

Morrer centenas
De vezes e não
Morrer sequer um dia:

Trançado de vozes
Calando
As pedras velozes.


Julio Almada do Livro Em um mapa sem cachorros

Para Comprar o Livro 
Em um mapa sem cachorros mande um e-mail:

almadalivros@gmail.com

Wednesday, October 25, 2017

Poema de Tigres






01

Las garras son mis ojos,
Los que eran de cualquier otro,
Y en la osadía de mi madrugada
Los instalé de súbito en mi cuerpo.
Ojos renacidos de no morir
Donde la muerte les visita la gravedad.


02

Instantáneos y profundos como la nostalgia:
Nocturna matinal arenosa e incómoda.
Los lobos las aves las hojas y la mirada de un pozo,
Laberinto circular de mis pasos felinos.
El tigre de los gritos de mi cuerpo
Arrastrar y no oír. Deshojo
Sin saberlo, el intento en mi cara.
Mi Sonrisa no tiene que decir.

03

Los Tigres de vuelos no vistos,
No hay como ver la altura de lo imprevisto;
Ni como huir la huida de los que tienen hado;
Ni como ser luz de lo que perdió la vista,
Sin ser brillo y entorpecer.
Los designados nunca son enteros
Cargan en sus pasos, pies desgarrados:
 Las piernas y los hechos y los dolores.


04

No hay destino exacto para la semilla en el desierto.
Para implacable incertidumbre despierta.
Para el dolor de tigres que despierto.
En el tigre duele la no invertida,
Y así el tiempo crea en mí sus dolores.



05

Si persigo veloz todo lo que quiero:
La hiel tengo por no tener y por las ganas;
Si yo me paseo ronda la bestia como fiera,
La Gana que era grande me dilate.
Sediento de la fuente que no se seca,
En las raíces de la tierra.


06

Yo Rompo la trampa del laberinto:
Enemigo del transito de las presas,
La prisión del deseo me encarcela.
Los gemidos solitarios del secar de las hierbas:
Son explosiones inimaginables de lo que se quema,
Fuego: angustia en las garras - ojos,
Captura el dolor y la carrera de lo que veo.


07

No llamaré tristes las afiladas uñas,
Ni de solitarias las víctimas de la cacería.


08

Hay los que maldicen su destino.
Hay los que el destino les apaga y calla.
Hay en el círculo de luz la honda zanja
De la hoguera extasiada de algo haber faltado:
Dos días dos sábados dos ojos,
O la pena no haber evaporado,
O el viaje interceptado de labios
Que quemarían la fiebre de la hoguera.



09

Se rompe esta tarde con mi correr de tigre:
El brazo del hado que me abraza.
Dejenme entre las flores negras,
Por entre mis no suavidades:
El tigre que soy - Sólo garras.
El hombre que soy - Sólo ojos.


Julio Urrutiaga Almada

Friday, October 06, 2017

Poema de Tigres e Tiger's Poem





  
















Poema de Tigres
"Tyger!Tyger!burning brightin the forests of the night,
What immortal hand or eyeCould frame thy fearful symmetry?"
William Blake



01

As garras são meus olhos,
Esses que eram de qualquer outro,
E na ousadia de minha madrugada
Os instalei de súbito em meu corpo.
Olhos renascidos de não morrer
Onde a morte lhes visita a gravidade.

02

Instantâneos e profundos como a saudade:
Noturna matinal arenosa e incômoda.
Lobos aves folhas e olhar de um poço,
Labirinto circular de meus passos felinos.
O tigre dos gritos do meu corpo
Arrasto e não ouvem. Desfolho
Sem saber, o intento no meu rosto.
O Meu Sorriso não tem dizer.

03

Tigres de vôos não vistos,
Não há como ver a altura do imprevisto;
Nem como fugir a fuga dos que tem sina;
Nem como ser luz do que perdeu a vista,
Sem ser brilhar e entorpecer.
Os designados nunca são inteiros
Carregam em seus passos, pés dilacerados:
As pernas e os fatos e as dores.

04

Não há destino exato para a semente no deserto.
Para implacável incerteza desperta.
Para o doer de tigres que desperto.
No tigre dói a não investida,
E assim o tempo cria em mim suas dores.

05

Se persigo veloz tudo que quero:
O fel tenho do não ter e das vontades;
Se passeio ronda a fera como fera,
A vontade que era grande me dilacera.
Sedento da fonte que não seca,
Faminto nas raízes da terra.


06

Quebro a armadilha do labirinto:
Inimigo do transitar das presas,
A prisão do desejo me encarcera.
Os gemidos solitários do secar das ervas:
São explosões inimagináveis do que se queima,
Fogo: angústia nas garras – olhos,
Captura a dor e a corrida do que vejo.

07

Não chamarei de tristes as afiadas unhas,
Nem de solitárias as vítimas da caçada.

08

Há os que praguejam seu destino.
Há os que o destino afaga e cala.
Há no círculo de luz a funda vala
Da fogueira extasiada de algo haver faltado:
Dois dias dois sábados dois olhos,
Ou a mágoa não ter evaporado,
Ou a viagem interceptada de lábios
Que queimariam a febre da fogueira.

09

Quebro nesta tarde com meu correr de tigre:
O braço da sina que me abraça.
Deixem-me por entre flores negras,
Por entre minhas não suavidades:
O tigre que sou – Só garras.
O homem que sou – Só olhos.

Julio Urrutiaga Almada, Do Livro Hora Tenaz


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English Version

Tiger’s Poem
01
The claws are my eyes,
Those which have been of any other,
And in the boldness of my dawn
Were installed suddenly on my body.
Eyes reborn out of not dying
Where death visits them severely.
02
Instant and deep as longing:
Nightly morning, sandy and uncomfortable.
Wolves leaves birds and the look from a well,
Circular maze of my feline’s steps.
The tiger of my body's shouts
I drag and I am not heard. I defoliate
Without knowing the intent on my face.
My smile has never got a say.
03
Tigers from unseen flights,
There is no way to see the height of the unexpected;
Nor getting away from the escape of those who have fate;
Nor being light to those who have lost sight
Without being shining and numbing
The fated ones are never intact
Carrying on their footsteps torn feet:
The legs and the facts and the pains.

04
There is no exact destination for the seed in the desert.
For relentless uncertainty arouses.
For the hurt of tigers' awakening.
In the tiger hurts the unrealized onset,
And therefore the time rises its pains in me.
05
If I chase fast all I want:
I have the gall of not having and of the wills;
If a walk walks around the beast as a beast,
The will that was great tears me apart.
Thirsty for the fountain that does not dry,
Hungry in the roots of the earth.
06
I break the trap of the labyrinth:
The enemy of preys' transit,
The prison of desire imprisons me.
The lonely moans of the drying of the herbs:
Unimaginable explosions of what it is burnt,
Fire: anguish in the claws - eyes,
The capture of the pain and the rush of what I see.
07
I will not call sad and sharp the nails,
Neither solitary the victims of the hunt.
08
There are those who curse their fate.
There are those whose destiny strokes them and silences.
In the circle of light there are deep fences
Of the fire ecstatic to have seen something missing:
Two days two Saturdays two eyes,
Or the hurt of not having evaporated,
Or the intercepted trip of lips
Which would have burnt the fever of the fire
09
I break this afternoon with my tiger run:
The arm of doom that embraces me.
Let me be among black flowers
Not through my gentleness:
The tiger I am - just claws.
The man I am - just eyes


Tradução de Samantha Beduschi e Julio Urrutiaga Almada

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Livros à venda pelo e-mail: almadalivros@yahoo.com.br



Saturday, December 31, 2016

Quer realmente um ano novo?




Quer Realmente um Ano novo?





Quer realmente um ano novo, novíssimo? Não vista cor assim ou assado. Não queime milhões de velas. Não peregrine até a porta do curral. Vista a cor da ousadia.Queime teu corpo com entusiasmo.Peregrine pulando desordenamente até os lugares que tu não conheces. Atravesse a rua.É. caminhando. E levante a cabeça e veja de longe a caixa aonde estavas.O ponto de observação imóvel ao que estavas condenado. Cumprimente, olhe para o outro, fale algo para ver se ele fala tua língua e se não for assim, quem sabe tu possas algo novo: que existe gente diferente e que sendo diferente todos faremos a diferença. Há quanto tempo não fazes algo novo? É, eu sei. Não se muda o que está dando certo. Aliás, é um ótimo resultado ter stress, dores, viver sempre a procura de um medo novo, só para que todos reconheçam esse é um homem de sucesso:sacrificado e obediente. Se divirta. Não faça o que está aprovado.Rotina não é diversão. Esqueça do conforto do sei que será assim, pois todos dizem e sinta o prazer de descobrir a capacidade de emitir opiniões:de gostar ou não gostar e gostar e não gostar.Eu já comprei a minha passagem para o mundo novo e foi de graça(dinheiro nenhum no mundo compra):graças ao incomodo que sinto ao ver tanta gente vendendo o melhor que tem para ter dinheiro.Quem gera riquezas e o bom uso da natureza e o trabalho do homem. O dinheiro só gera ricos e miseráveis. Gostaria de saber se tu realmente quer um ano novo?

Julio Urrutiaga Almada


Saturday, June 25, 2016

Outra História de Calar






“Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?”
(Fernando Pessoa)

Ela quis partir. Não foi embora de nada do que tinham de precioso, pois ela não queria chorar a ausência das bagagens. Não carregou nos lábios densos e sedentos a hora inevitável do outro beijo, que era o primeiro, feito anseio pelo segundo, desespero pelo terceiro, vertigem pelo vale povoado de beijos ciumentos, disputando sempre a preferência. Um beijo sepultou o outro e desmemoriado com ela partiu. Ela não queria perder e para isso não teve. Podemos achar o amor por ele oferecido, embrulhado em rara seda, em uma das calçadas do tempo, pisado pela dolorosa oração: “Ah, se nós tivéssemos nos conhecido em outro momento da minha vida.” Não sei dela. Partiu. Dele sei que calou. Anda correndo por um túnel de silêncio. O silêncio costuma testemunhar o enterro de dores e o combate dos desejos.

Julio Urrutiaga Almada

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