Poemas Reclamados

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Sunday, December 13, 2009










Historinha

 

Comprei uma flor assassina

Dessas que te grudam os espinhos

Dessas que te olham de mansinho

Dessas que nunca dizem jamais

E foi em uma tarde de abril

Eu: o homem de outubro

Eu que maio esperava

Para observar junho.

 

Comprei uma flor assassina

Diziam não perca a oferta.

E hoje a noite é longínqua.

E hoje a flor é incerta.

E hoje –o amanhã do ontem-

Me olha e me compra.

Eu que dizia: não estou à venda.

Eu de olhos abertos:

Aparo com as mãos cortadas:

Meu coração de desertos.

 

Julio Almada do Livro Em um Mapa sem Cachorros


Mais textos: www.bloguerocoisanenhuma.blogspot.com

 

Saturday, December 12, 2009













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Um abraço











Héracles


Ninguém sabe
Degustar
um segredo.

Ele tem a cara
De um Câncer.

Ele tem o cheiro
De um medo.

Eu verto silêncios
E aromas de baunilha
Nesses dias entristecidos.

Eu perambulo
Pelos endereços
Inábeis
Dos tempos felizes.

Eu sofro
De amores voláteis
Desandando
A maionese dos magos.

 


Flor de um asfalto retrátil
Devorador de pernas
dóceis
E sonhos contidos.

Esvoaço a vida
Se esvoaçada
Deixa-se.

Falo a verve
Descontrolada
Dos abismos.

Amo a febre
Dos meus sentidos:
Voz embargada.

Desavisado sorrio
Os dias me dilaceram
Na sorte que anunciam.

Dobro a esquina
Cruzo o rio
Sangro desaparecido.

As mãos prenunciadas
São a febre
Das horas enraivecidas.

O olho inerte
É o remorso
Do tempo vencido.

A outra margem
O rosto da correnteza
cortada.

 


Palidez é a cor
mais selvagem
a mim permitida.

Morrer centenas
De vezes e não
Morrer sequer um dia:

Trançado de vozes
Calando
As pedras velozes.

Monday, December 07, 2009














Pensamentos

Eu queria te dizer sinto saudades: sinto a dor das amarras: Eu queria dizer venhas logo: sinto a dor de que tu és outro: Eu queria te dizer esvoacemos a vida em algures: sinto a dor de que alguém decide. Eu queria te dizer da dor de meu corpo sem o teu: sinto a dor de ser um sem ser dois e ser dois sem nunca ter sido um.


Julio Almada do Livro Caderno de Ontem


Sunday, December 06, 2009












Castelos inventados e o grito que me acorda

“La del alba sería cuando don Quijote salió de la venta tan contento,

tan gallardo, tan alborozado por verse ya armado caballero,

que el gozo le reventaba por las chinchas del caballo.”

Miguel de Cervantes, Don Quijote de La Mancha

As miragens no deserto: oásis projetados de água límpida e outras formas de acariciar o sofrimento e a solidão dos peregrinos e fugitivos: Existem antes ou sempre ou quase sempre esse suposto reino dos castelos inventados, onde o futuro do real está condenado se, a imaginação humana e o grito do pássaro que recusamos ser, forem aniquilados e sutilmente impedidos de beber água e beber tempo e dizer: o impossível é só um modo de chamar o imprescindível.



Julio Almada In Caderno de Ontem

Friday, December 04, 2009

















Alma Andarilha


Walking Around

Sucede que me canso de ser hombre.
Sucede que entro en las sastrerías y en los cines
marchito, impenetrable, como un cisne de fieltro
Navegando en un agua de origen y ceniza.

Pablo Neruda

Há uma meia-tinta na palidez hoje:
Os saciados forjam na fonte:
O riso rasgado dos dias meio-vividos.
A cor sangra luz no asfalto vazio
E tombam os muros esmurrados há anos.

Há uma meia-tinta na palidez hoje:
E a dor para doer fala
Um idioma estranho.
Já não sei nada do que falta.
Já me falta saber tudo.

Há uma meia-tinta na palidez hoje:
Ponteiros pontuam: Eu: há semanas:
A corda desossa os barcos e reclamo:


Há uma meia-tinta na palidez hoje:

...continua

Julio Almada In Em um Mapa sem Cachorros

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Saturday, November 28, 2009

















Mis cuchillos



Hay un silencio en esa noche
lo quiero reprochar.
si nada escucho afuera

la bulla de cualquiera

adentro de mí está.


Julio Almada
















Dibujo de una sonrisa



La calle, está de tarjetas, poblada

De corazones, de materiales diversos

Y llaman las olas del tiempo y la voz

Del amado y amada.

Yo poblado de recuerdos

De cenizas hechas alas

De corazas de otros miedos

Y yo hecho tus ojos

A lo lejos.

De lábios ya no mios sino tuyos

Y besos que huelen a secretos

Somos uno en el vuelo

Y dos niños jugando al dia

En que nos queremos

El dia ayer y hoy el dia

Huyendo siempre del jamás.



Julio Almada In Arde

Sunday, November 22, 2009


















O silêncio quis revelar seus segredos e, o fez, em 7 horas de um dia.
Confessou sua face nas relações ou abismo, amor ou desamor, fim da palavra ou a palavra enfim.
O Livro foi escrito em um só dia: 02/12/2005