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Showing posts from April, 2018

Fora de Moda

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Um bando de ovelhas negras Tosou o pastor de roupas brancas.
Não precisa de pele nem alma: Quem tem as vestes tão alvas; Quem tem as falas tão brandas;
Quem sabe por onde todos Têm o modo certo De chegar não sei onde;
Deus me livre esperar Um julgamento.
Eu que ainda não sou nem ovelha negra.
Eu que de rebanhos Quero distância, E me visto Só com a alma:
Que para viver de aparência Além do olhar maquiado, Sempre há um gasto de tempo. Quem vive muito: morre cedo.
Julio Urrutiaga Almada - Do Livro Poemas Mal_Ditos

Outra História de Calar

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“Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?” (Fernando Pessoa)
Ela quis partir. Não foi embora de nada do que tinham de precioso, pois ela não queria chorar a ausência das bagagens. Não carregou nos lábios densos e sedentos a hora inevitável do outro beijo, que era o primeiro, feito anseio pelo segundo, desespero pelo terceiro, vertigem pelo vale povoado de beijos ciumentos, disputando sempre a preferência. Um beijo sepultou o outro e desmemoriado com ela partiu. Ela não queria perder e para isso não teve. Podemos achar o amor por ele oferecido, embrulhado em rara seda, em uma das calçadas do tempo, pisado pela dolorosa oração: “Ah, se nós tivéssemos nos conhecido em outro momento da minha vida.” Não sei dela. Partiu. Dele sei que calou. Anda correndo por um túnel de silêncio. O silêncio costuma testemunhar o enterro de dores e o combate dos desejos.
Julio Urrutiaga Almada
Est…
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1 e 11
Um e onze
dizem sim
no meio céu
fiquei pregado
Eu e ao lado
teu nunca enfim
Absorto no ontem
Dos teus lábios
Transitando entre
Cirrus e nefastos
Os Amores
infestados
De pudor, azia,
Fóbicos, Fortes
Enclausurando
Olhos flamejantes
E Há braços
pouco módicos.
Enlameias meu
sim
Embaraças meu
não
Jaz na sombra
O presente
Por nós nunca
Tocado
Dias para
aniquilar
O Hoje: