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Showing posts from February, 2018

Alquimia

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Um poeta cozinheiro Dado a fogueiras de hálitos Doces Titubeante e corriqueiro Perdeu a vida Não as flores Suas mãos de luto Perfumadas e findas Cozerão tomate e alga Na vertente marinha Dando aos olhos do céu Um mosaico de peixes suicidas.

Do Livro Hora Tenaz

Receituário

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Já avisei, aviso sempre Me matem antes da meia-noite Se não o fazem que agüentem Ou me parem com açoite
Se baterem pouco: A coisa aperta. Meu coração estanca a estaca Bala de perto não é: a de prata.
Julio Urrutiaga Almada
Do Livro Poemas Mal_Ditos

Em Terra de Cegos

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Nessa piscina cheia de ratzingers Me banham em acido nostálgico Furando-me olhos em indecifrável Odor de um paraíso imaginário De mão dadas com minhas cadeias Os cães no olho mágico Dividiram a fome do espelho
Para que querem saber o que Se mantém vivo ou desperto Se dentro da alma os ratos Esgotam o caminho dos esgotos?

Julio Urrutiaga Almada  Do livro De Olho:Embriagado

Alma Andarilha

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Walking Around
Sucede que me canso de ser hombre.
Sucede que entro en las sastrerías y en los cines
marchito, impenetrable, como un cisne de fieltro
Navegando en un agua de origen y ceniza.
Pablo Neruda

Há uma meia-tinta na palidez hoje:
Os saciados forjam na fonte:
O riso rasgado dos dias meio-vividos.
A cor sangra luz no asfalto vazio
E tombam os muros esmurrados há anos.

Há uma meia-tinta na palidez hoje:
E a dor para doer fala
Um idioma estranho.
Já não sei nada do que falta.
Já me falta saber tudo.

Há uma meia-tinta na palidez hoje:
Ponteiros pontuam: Eu: há semanas:
A corda desossa os barcos e reclamo:


Há uma meia-tinta na palidez hoje:

Há uma falta serena de cor
Do que foge.
Há uma falta na flor que consome.
Meus olhos. Meu sangue. Meu nome.

Há uma meia-tinta na palidez hoje:
E um amor de visita preso na garganta.
Um balde de sangue jorrando um brilho



E um homem cinza dizendo:

Há uma meia-tinta na palidez hoje.

Um poeta pregando dedos na cruz
Ao percorrer sua VIA dizendo o que sente.

Há uma meia-tinta na pal…

Poema de Tigres e Tiger's Poem

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Poema de Tigres
"Tyger!Tyger!burning brightin the forests of the night,
What immortal hand or eyeCould frame thy fearful symmetry?"
William Blake



01

As garras são meus olhos,
Esses que eram de qualquer outro,
E na ousadia de minha madrugada
Os instalei de súbito em meu corpo.
Olhos renascidos de não morrer
Onde a morte lhes visita a gravidade.

02

Instantâneos e profundos como a saudade:
Noturna matinal arenosa e incômoda.
Lobos aves folhas e olhar de um poço,
Labirinto circular de meus passos felinos.
O tigre dos gritos do meu corpo
Arrasto e não ouvem. Desfolho
Sem saber, o intento no meu rosto.
O Meu Sorriso não tem dizer.

03

Tigres de vôos não vistos,
Não há como ver a altura do imprevisto;
Nem como fugir a fuga dos que tem sina;
Nem como ser luz do que perdeu a vista,
Sem ser brilhar e entorpecer.
Os designados nunca são inteiros
Carregam em seus passos, pés dilacerados:
As pernas e os fatos e as dores.

04

Não há destino exato para a semente no deserto.
Para implacável incerteza desperta.
Para o doer…
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Suspiro

Amei tua pele e teu talvez
Amei tua dor e loucura
Senti o ardor da tua tez
Ao mentir tua jura

Julio Almada
passion
when your love pierce my body and mute  my voice
I'll be shipwrecked here this voracious moment All your pores in me.
like a storm: Undoing two bodies On the high seas! Julio Urrutiaga Almada - 2014



Paixão
Quando teu amor Transpasse meu corpo E emudeça minha voz.
Estarei eu aqui náufrago Desse instante voraz Todos teus poros em mim.
Como tempestade: Desfazendo dois corpos Em alto-mar!

Julio Urrutiaga Almada – 1997 – Livro Instantâneo Enlace

Soprinho

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Eu flerto com a morte A vida é um desdém de tanto esperar a sorte muitas vezes me atrasei.
O tempo pensa deter-me e eu nem sei quanto me resta ainda de tudo que já deixei.
Do Livro O amor é um precipício do cão

Alma Andariega

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Alma Andariega
Walking Around Sucede que me canso de ser hombre.
Sucede que entro en las sastrerías y en los cines
marchito, impenetrable, como un cisne de fieltro
Navegando en un agua de origen y ceniza.
Pablo Neruda
Hay una media tinta en la palidez hoy Los saciados forjan en La fuente: La risa abierta de los dias vividos a medias El color sangra luz Del asfalto vacio Y tumban los muros golpeados por años
Hay uma media tinta en la palidez hoy Y El dolor al doler habla Un idioma raro Ya no sé nada de lo que me falta Ya me hace falta saberlo todo
Hay una media tinta en la palidez hoy: Las manecillas apuntan: yo: hace semanas La soga deshuesa los barcos y reclamo:
Hay una media tinta en la palidez hoy
Hay una ausencia serena de colores En lo que huye.
Hay una ausencia en La flor y me consume.
 Mis ojos. Mi sangre. Mi nombre.
Hay una media tinta en la palidez hoy Y un amor de asalto preso en La garganta Un balde de sangre chorreando un brillo

Y un hombre gris diciendo:
Hay una media tinta en la palidez hoy
Un poe…