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Valéria - Conto do Livro Caderno de Ontem

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...a cada dia uma mulher diferente, as pequenas flores circundavam as brancas maiores, pequenas e espiraladas, um estilizar de pétalas imitando o labirinto no vestido. Não há como evitar a ilusão de múltiplos caminhos - de todas as imagens, labirintos: espirais, angulares, retilíneos - detentores de no máximo duas ou três reais saídas, para os começos despercebidos.
Sua maneira de ser todas as mulheres que ela era: superava expectativas e barreiras. O cabelo tinha cores metamórficas, brotadas de si mesmo. O tom do corpo era o da sua alma, alçando Vôo ou arremessada. Os lábios de mordiscar-se encendiam rubras faces. E não havia movimento de dança mais inusitado do que a forma renovada de suas sobrancelhas. Nela vi e perdi de vista: muitas mulheres. Outonais ou primaveris, escandalizando ou escandalizadas e como não poderia deixar de ser, entre o modo de ninguém e de todas, havia no seu olhar a pena de uma tristeza empoçada.
Julio Urrutiaga Almada do Livro Caderno de Ontem
Para comprar o livro …

Contos - Caderno de Ontem

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Últimos Exemplares:



Este Livro tem em torno de 90 narrativas curtas, escritas na 
sua maioria, na livraria da travessa na travessa do ouvidor 
no Rio de Janeiro. São Textos de 2006.
Livro de Contos Curtos. 102 páginas. Leia um dos contos.

Modus Operandi

Se não és senhor de ti mesmo, ainda que sejas poderoso, dá-me pena e riso o teu poderio.
(Josemaría Escrivá)

Inventei outra dor. A de ontem era insuportável, estava aprisionada com seu destino de dias memoráveis, na cela pretensa da previsibilidade. Esperada. Morrerei de uma dor amorfa e estrangeira, distinta, incoerente. Uma dor homicida, que furará com olhar de desdém, as muitas que já senti.

Julio Urrutiaga Almada do Livro Caderno de Ontem




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Conto do livro Caderno de Ontem

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Maria

“Na noite profunda e escura da alma,
são sempre três da madrugada.”
F.Scott Fitzgerald


“Em cada nota de dinheiro ganho pela dona desse lugar: há uma lágrima nossa: o choro pela unha não pintada, por um novo dia sem poder combinar a roupa ou pela visita ao cabeleireiro, outra vez, desmarcada. Se não fosse a vaidade, eu não estaria aqui”, ela disse, alisando ostensivamente, os cabelos.

Muitas vezes, eu fui convidado para sua festa de despedida. Não agüento mais esse lugar, eram suas palavras. Um homem apaixonadíssimo viria na sexta ou sábado e esse seria seu último dia.
Semana após semana: ela ainda estava ali.
O amor tem dessas coisas e também as têm: a conveniência, o cinismo e a deslealdade.
Nem sempre ela me cumprimentava, mas quando o fazia, era com intensidade e forma peculiar: uma demonstração de que antes estava impedida: algum cliente, álcool demasiado ou um breve esquecimento.
A meia-luz do lugar revelava, rostos memoráveis, esses que a tristeza arrebata, sem conformida…