Uma dor chamada Valdivia

Na fuga de qualquer hemisfério, meus pés mais ao sul resolveram circular: tenho saudade do tempo em que haviam somente quatro estações. A tônica desse tempo é a ruidosa meia-estação, não é nem uma coisa nem outra. E aqui estou, 01:30 depois de uma ligação de uma hora atrás em pleno inferno invernal de Curitiba ou melhor diria, Inverno infernal. A libido está sujeita a graduações em desejos Celsius. Não é o “fog”, há entre nós um oceano de distância...mas sempre há essa neblina que afoga qualquer libertinagem tênue, não a minha. Engulo Curitiba sem água nem prevenção nem ligação antecipada para saber se a vida segue preservada. Sempre conheço a mulher da minha outra vida e apago a cada dia três do que ainda me resta para viver. Quero tê-la, prelúdio de ser abandonado, de figurar para sempre naquelas dúvidas: fui esquecido? O Equívoco é para mim um presente dado sem cerimônia, ano que vem tudo muda, será?

Julio Almada

Comments

Filha de Deus said…
Deixo-me levar nesse cenário. Viajo cobrindo-te de plumas recém-chovidas.
Abraço!

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