Valéria
“Parecemos tão livres - e estamos tão encadeados... “
( Robert Browning)
...a cada dia uma mulher diferente, as pequenas flores circundavam as brancas maiores, pequenas e espiraladas, um estilizar de pétalas imitando o labirinto no vestido.
Não há como evitar a ilusão de múltiplos caminhos - de todas as imagens, labirintos: espirais, angulares, retilíneos - detentores de no máximo duas ou três reais saídas, para os começos despercebidos.
Sua maneira de ser todas as mulheres que ela era: superava expectativas e barreiras.
O cabelo tinha cores metamórficas, brotadas de si mesmo.
O tom do corpo era o da sua alma, alçando vôo ou arremessada.
Os lábios de mordiscar-se acendiam rubras faces. E não havia movimento de dança mais inusitado do que a forma renovada de suas sobrancelhas.
Nela vi e perdi de vista: muitas mulheres. Outonais ou primaveris, escandalizando ou escandalizadas e como não poderia deixar de ser, entre o modo de ninguém e de todas, havia no seu olhar a pena de uma tristeza empoçada.
Julio Almada, Do Livro Caderno de Ontem
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Friday, June 17, 2011
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2 comments:
Mulheres diversas... Múltiplas mulheres que se sustentam ou se dissolvem no impreciso caminho, que ora se faz doce, ora atroz...
Mulher simplesmente...
Este trecho me lembrou muito as mulheres múltiplas e compostas do escritor Osman Lins, especialmente no seu romance "Avalovara". Bom passear por aqui. Grata pelo convite. Abraços alados.
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